Relato em coplas de quem ficou sem erva

Já quase me faltando erva por puro esquecimento, muito recorri ao que pude encontrar na venda mais próxima.
De pila curto, muito comprei no que a plata me permitia.
Mas raras vezes me vi sem mate.

Inda clareava a manhã
- recém saltava do catre -
me despedia do sono
lembrando o verde de um mate.

Mas dia destes, ainda mal acordado, esquentei a água (no caso esperei que chiasse a chaleira) e busquei a erva no pote de sempre. Detalhe: meu mate é de água chiada na chaleira (talvez por cisma, talvez pelo gosto).

Esquentava o alumínio
na chama do quatro bocas...
enquanto cantava a água
em cantoria já rouca.

Dei de mão na minha cuia, que é um coração de porongo. Busquei na gaveta, achei minha bomba e fui ao pote.

Ausência e nada
no pote que foi da erva,
que por puro esquecimento
usei até da reserva.

Com toda a raiva contida do meu auto-julgamento fiz minha auto-indagação: - Como é que um gaúcho esquece do seu munício?...daquilo que faz gaúcha sua rotina mundeira?!?!?!...É o mesmo que sair pra uma marcação sem laço atado nos tentos!...montar bagual de pouca crina sem tento bem desquinado!!!!

Quem sente sede quer água
quem quer amor se enamora...
quem fica sem chimarrão,
alma parece que chora.

Assim termino este relato, sem mate por companhia...de quem recém clareou o dia, sem parecer ter clareado. Pois um gaúcho sem mate segue dormindo de pé na secura de uma ausência!

Marcio Nunes Corrêa

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