De Muda

Meus olhos campeiam longe buscando o campo nativo
e as flores que já não tenho no pedestal dos trevais.
Nem cavalos rebolcando por detrás da velha quinta,
nem boiada pelechando na graxa dos pastiçais.

Meus olhos buscam o verde do aroma de algum poejo,
o sol de uma maçanilha luzindo beira de estrada.
A nuvem branca de ovelhas estaqueando seu pelego
entre garças estendidas no lençol de uma canhada.

Meus olhos já não espelham o mesmo verde de antes,
o mato encobriu a vista e o campeiro alçou a perna...
toda a poesia do campo ficará só no papel,
pouco há o que fazer quando a plata é o que governa.

Meus olhos já não entendem, “vendo” o campo pelechado.
Invés de gado na carga, madeira no boiadeiro.
O que será dos caminhos sem o mugido do gado?...
- pois ninguém reponta lenha no ofício de tropeiro.

Meus olhos tem nostalgias pelas lágrimas que escapam,
numa oração de campeiro cá das cruzes de um gateado.
Se o campo se vai De Muda, pelechando flor em mato
seremos novo retrato, nos fundões do nosso estado.


Versos: Marcio Nunes Corrêa e José Renato Daudt - Melodia: Juliano Moreno

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