Não era pra ser...

Foram três luas amanunciando um potro
e nem sinal de se entregar prás corda,
olhar de mau, meio frestiando a franja
coiceando a sombra desde que o sol acorda.

É o sereno da manhã de maio, 
de quando um burro despertava a cena...
falsa quietude atada ao palanque
imagem xucra de um mouro pavena.

Filha pequena, flor do meu jasmim,
pelo terreiro num semblante em festa,
sonhando cores n`alguma cantida
na liberdade que a inocência empresta.

Como um lampejo brincou rumo às patas
meneando a franja no garrão do potro,
e eu no assombro da encruzilhada
de correr por pai ou de rezar pro outro!

Nem a forneira fez cantar de ensaio
e até o vento mermou no arvoredo,
as quatro patas igual a um palanque
se enraizaram a esconder segredos.

Então a prece que ecoou distância
fez a flor lindar habitar os meus braços,
o próprio maula quis poupar a infância
pela pureza de seus ternos traços.

Me dá a cabeça pra eu tirar o bucal
assim com jeito vou te dar benção,
e nesse lombo apenas geadas
vão fazer pátria pela gratidão!!!


Autores: Marcio Nunes Corrêa e Helvio Luis Casalinho



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