Manotaço

O sol anuncia a doma no dia recem bulido

e no galpão o bufido de um vento que se apresenta.

Um mouro cabeça preta que amanheceu na mangueira

ouve esporas musiqueiras sonando a manhã nas venta!

Depois do brete, o buçal e o palanque por destino…

onde as cismas de malino florescem num MANOTAÇO,
errando um tirador, tapeando sua própria sorte
como alguém que perde o norte sentido de um rebencaço.

Talvez foi só o instinto quando sentiu-se acuado,

com o olhar emangueirado na escuridão de uma venda.
como um ateu que se entrega ao braço morto da cruz
ou alguém que busca a luz que escapou de uma fenda.

 

Quem sabe perdeu o tino nos gritos de: Vamo e pega!...

…nos manojos de macega que a casco atirou pra cima.

Talvez igual a um hermano que na ânsia de ser livre

de teimoso ainda vive juntando terra na crina.

 

Talvez abanou pra o mundo como quem dá um adeus,

buscando algum dos seus pra mais uma recorrida.
No aperto da sobre-cincha se boleou pois foi o jeito
de acusar a dor no peito tal fosse uma despedida.

 Por certo o MANOTAÇO foi quase como um protesto

um manifesto bagual contra a rendilha e o tento.
Como alguém que se indigna quando perde o seu direito
de escrever o que é um conceito firmado num sentimento.

 

Quem sabe acenou pra o céu campeando outro caborteiro

que pelo chão brasileiro tenha vergonha na cara.

Faça pátria tal um Bento e um Chico Mendes campeiro

e renasça milongueiro com o sangue de Guevara.



Versos: Marcio Nunes Corrêa - Melodia: Joca Martins

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